Hoje o meu pai estava feliz. Completou 75 anos e tinha os filhos e netos a celebrar com ele. Dos seus cabelos brancos e já ralos, um sorriso maroto de satisfação fez-me regressar aos tempos de criança, quando ele chegava da cidade, ao sábado, trazendo um daqueles bolos saborosos de côco ou mel que partia com as mãos fortes e distribuia alegria por mim e meus irmãos.
Ao seu lado a companheira de muitas horas amargas e de muitas alegrias, ainda forte e cheia de vida, sempre preocupada com os filhos e netos, safisteita por sentir o calor humanos dos seus.
Esperamos celebrar para o próximo ano as bodas de ouro dos dois.
A irmã do meu pai, a tia Maria, também esteve presente, e apesar dos seus 84 anos não deixa de contar as suas estórias e anedotas. Viveu muito tempo na cidade, em casa de senhores ingleses, ainda me lembro de os encontrar na Quinta da Alegria em S. Roque. A senhora chamava-se Anne e a irmã era Susan, eram casadas com heróis da segunda guerra, pilotos da RAF, mas não tinham herdeiros directos. À frente da velha casa tinham uma quantidade de primorosas de diferentes cores, e muitos sapatinhos. O feitor vivia mais acima, numa casa ladeada por muitas árvores de fruta, ao lado desta uma levada trazia, da serra água bem fresquinha e cantante.Ia-se por uma vereda até um antigo templo, a capela da Esperança, que nesse tempo estava em ruínas.Voltemos aos anos do meu pai.
Aproveitámos para recordar os tempos passados e as malandrices de todos nós.
Foi uma tarde bem passada.
